sábado, 15 de agosto de 2009

O Cachorro da Moda

Este foi o meu primeiro texto e a inspiração para criar os meus blogs. Não sei porque, só agora estou postando aqui, apesar dele estar em alguns outros sites.

Espero que gostem e comentem.

O Cachorro da Moda

"Quando eu era pequeno e passeava pelas ruas de São Paulo, era muito comum ver no quintal das casas cachorros que me fascinavam. Quem não queria ter um Pastor Alemão e se sentir como aquele garotinho, dono do Rin-Tin-Tin? Ou uma Collie e ter um cachorro quase humano como a Lassie? Melhor ainda, um São Bernardo, com seu barrilzinho preso no pescoço salvando pessoas perdidas nas geleiras paulistanas? Quem não queria ser protegido por um Doberman como nos filmes de ação? Ou ter um Sheepdog gigantesco como o Digby e aterrorizar sua vizinhança?

Em casa eu ainda não podia ter um cachorro, pois minha mãe tinha horror a sujeira. Mas da casa da minha bisavó eu ainda guardo a lembrança de um “CÃO POLICIAL”, o Mate. Para mim se tratava de um cachorro enorme, com o pelo brilhante, que me despertava amor e medo em proporções iguais. Os adultos faziam muito alarde por ele ser bravo, mas nunca nenhum dos netos sequer se arranhou.

Alguns anos se passaram, mas a minha mãe não mudou de opinião. Eu já não via mais aqueles cachorros da minha infância nas ruas. Agora eram muitos Cockers. Quem não se apaixonou por um deles, pelo menos na vida, com aquele olhar pidão? Via passeando 101 Dálmatas em cada quarteirão e o carrancudo Boxer, que poderia ser tema de música para ninar, assustando criancinhas, mas que na realidade é uma babá de primeira.

Os cães de guarda também mudaram, os pastores não eram mais alemães, e sim Belgas ou Suíços, os elegantes Dobermans deram lugar ao mal humorado Rotweiller, tão mal compreendido. Mas o que mais me marcou nessa fase da minha vida foi uma VIRA-LATA que encontramos perdida e prenha numas férias em Ubatuba. Demos abrigo, comida, um nome (Samantha) e ajudamos a nascer e a encontrar um lar para todos os seus filhotes. Engraçado, sempre que alguém da família lembra dela, dizemos que nós a achamos, mas hoje vejo perfeitamente que ela nos achou.

Finalmente chegou a minha fase adulta e pude dar vazão a alguns sonhos. Como não poderia deixar passar, meu primeiro cão. Um Dog Alemão, lindo demais, doce demais (mas que ninguém chegasse muito perto). O nome dele era Bacco e eu o guardo no coração até hoje. Depois dele vieram Balboa, Sherlock e Bacci, respectivamente um Boxer, um Basset Hound e uma Cocker.
Três cachorros maravilhosos. O Balboa expressava um amor por nós como poucos. O Sherlock se virava em três para acompanhar os outros dois e a Bacci, que em um livro não conseguiria dizer tudo que tenho a dizer dela...era um anjo de quatro patas, com o perdão do clichê.

Mais alguns anos se passaram e os quintais mudaram de donos novamente. Golden Retrivers e Labradores passeando pelas praças. O Maltês que veio junto com a internet gratuita. Impossível passar dez minutos num pet shop sem ver um Lhasa Apso. E nosso amigo Rotweiller foi desbancado pelo polêmico Pitbull.

Hoje, em 2007, eu tenho uma SRD, o famoso SEM RAÇA DEFINIDA. Sem dúvida, foi um presente da Bacci, que morreu no começo do ano, entregue pelas mãos da Marta e do Mauro.

Não tenho medo de dizer que, em apenas três meses, essa cachorrinha salvou a sanidade mental de duas pessoas, trouxe de volta alegria de nossa casa, mudou as brincadeiras com meus filhos e nos trouxe de volta um sentimento de amor incondicional que só um cachorro pode oferecer.

O dia não está completo sem que ela me acorde lambendo o rosto, ou que persiga a bola quando jogo futebol com meus filhos, ou que a Mari tenha que levá-la no colo até o muro para ela ver o movimento da rua, ou que ela me desaloje do meu travesseiro. Essa cachorra há três meses estava na rua, prenha, suja, machucada, desnutrida e inteira coberta de pulgas e carrapatos. E por que? Porque ela não nasceu com pedigree. Porque ela não está na “moda”.

O mais irônico nessa história toda, é que a moda passa ao longo dos anos. Passam os pastores, dobermans, rotweillers, poodles, pequineses... Que fique claro que não tenho absolutamente nada contra eles, muito pelo contrário, mas o bom e velho VIRA-LATA nunca sai de moda.

O amor, a fidelidade e a gratidão que um animalzinho deste traz consigo, não é algo que se encontre em livros sobre cães de raça. Não quero com isso dizer que eles sejam melhores ou piores que qualquer outro. Quero dizer apenas que eles são diferentes, eles são únicos, eles são “a nossa cara”.

De todos os relatos que eu li sobre adotantes, acho que não passou um que não dissesse exatamente isso em seus textos. Os animais adotados se encaixam em nossas vidas e em nossos hábitos de uma forma tão maravilhosa, que quando nos damos conta, percebemos que eles fazem parte de cada segundo do nosso dia. Eles se adaptam e se contentam com o que podemos oferecer, e para eles isso é mais do que o suficiente.


É mais do que eles poderiam querer. Talvez por terem conhecido de perto as dificuldades de sobreviver nas ruas, eles dão valor a cada segundo ao nosso lado, sob um teto seguro, com comida, água e carinho garantidos.

Então quando ouço pessoas dizendo da nossa coragem, ou da nossa bondade, ou do nosso desprendimento em adotar um cachorro vindo da rua, só posso dar risada e ter comigo a certeza de que apenas quem nunca teve a oportunidade de ser adotado por eles, pode pensar dessa forma.

Eu amo minha cachorra e agradeço a Deus por ela ter me encontrado e por ter colocado na Terra pessoas como o Mauro e a Marta, com certeza seus mensageiros, que dedicam parte de sua vida e seus recursos para trazer à pessoas desconhecidas a chance de viver tudo isso.

Obrigado Bacci, obrigado Bechamel, obrigado Mauro e Marta, obrigado Mah. Eu lhes serei eternamente grato. "

(Alexandre Brendim)

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Chip nos Guapecas

A partir desta semana, os guapecas encaminhados para adoção pelo canil municipal de Porto Alegre, receberão uma identificação eletrônica do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura.

Com este chip, será possível encontrar animais perdidos e obter informações sobre seus donos. Os cachorros saem do canil vacinados e vermifugados, mas muitos donos não seguem vacinando seus animais. Este é o foco principal da campanha, que visa monitorar a origem de doenças nos cães.

"Com a identificação dos animais, podemos também identificar o proprietário e responsabilizá-lo em caso de abandono ou maus-tratos", disse José Carlos Sangiovanni, veterinário responsável pelo projeto, que prevê uma diminuição grande nas doenças apresentadas, após a implantação do chip.

A responsabilidade legal pelos cães está prevista no Código Municipal da Saúde, no Código de Posturas do município e na Lei de Crimes Ambientais. As penalizações, entretanto, são raras em função da dificuldade de se relacionar os animais a seus proprietários.

Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa pretende estender a obrigatoriedade de identificação a todos os cães do Estado.

Dos 300 mil cachorros de Porto Alegre, 15 mil estão nas ruas. O projeto pertende identificar inicialmente 2 mil cachorros que passam pelo centro de zoonoses por ano. cada chip custa por animal, R$ 15,00.

Tudo muito bonito, tudo muito legal, mas já vieram as reclamações.

Aliás, ao meu ver, um dos principais motivos, para causas ambientalistas e para proteção dos animais, não terem a devida atenção e adesão, se deve ao fato de que nada, nunca está bom para os seus ativistas.

Segundo Airton Marcolino, presidente da Associação Pró-Direito dos Animais de Porto Alegre (Aprodan), a adoção de animais será dificultada com o monitoramento. "Vai ficar ainda mais difícil conseguir um dono para os cachorros de rua", disse.

A associação tem 700 cães sem raça à espera de um dono. Hoje, apenas um em cada cem animais consegue ser adotado.

A presidente da Associação Gaúcha de Proteção aos Animais (AGPA), Lenir Oliveira Pascoal, também é contra a medida. Ela defendeu políticas públicas de castração em massa dos animais de rua, em vez do investimento em identificação eletrônica. "Também ajudaria se o centro melhorasse as condições de hospedagem de seus animais", afirmou. Segundo ela, as condições do canil do CCZ são precárias.

EU penso o seguinte:

Concordo em parte com a Sra. Lenir, acho que projetos para castração em massa para os animais de rua, feito pelas prefeituras, uma atitude que já deveria ter sido tomada há muito tempo.

Melhorar condições de hospedagem é algo, que tem que se ter em mente sempre! Mas mapear e rastrear, focos de doenças, é tão importante quanto, e acredito que, se estas associações apoiássem o projeto, a prefeitura poderia ver a causa dos animais e os seus ativistas com outros olhos.

Em relação ao Sr. Airton, vai me desculpar, mas um inivíduo, que deixa de adotar um cachorro, com medo que descubram que ele maltrata o animal... é melhor que não adote mesmo! Deixe o cachorro na rua, que ele terá mais chances.

Enfim, o projeto foi lançado, a iniciativa foi tomada, se é perfeita ou não, se é a ideal ou não, se é o melhor projeto ou não, apenas o tempo poderá dizer. Eu fico na torcida para que a vida dos guapecas melhore, e que outros projetos e outras prefeituras se mobilizem pela causa. Quando alguém acertar em cheio...aí então, é só copiar!

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