A beleza de ser vira-lata
Eu já tive alguns cachorros, todos de raça. Dogue Alemão, Cocker Americano, Cocker Spaniel, Boxer, Basset Hound, Beagle, todos cães maravilhosos, escolhidos a dedo em cada fase da minha vida.
Todos eles me trouxeram muita alegria e dificilmente passa um dia, sem que eu pense em pelo menos um deles. Com toda a certeza, estarão me esperando lá em cima para fazermos uma farra!
Durante este período, nunca me importei com os cães de rua, castração era mais que um mito, era algo impensável. Como iria privar um cachorro meu disso? Deixar ele moleirão e gordo? Nem pensar!

Eu via os vira-latas como uma sub-espécie de cachorro. Feio, sujo, magro, sem uma aparência definida, sem um comportamento definido, vagando pelas ruas em busca de comida e trazendo doenças para os nossos elegantes e garbosos cachorros.
Só conseguia entender alguém querer um vira-lata, se não tivesse dinheiro para te um cachorro de verdade.
Mas o mundo dá voltas e nos prega algumas peças!
Minha cocker morreu. Foi um sofrimento que não tinha fim.
Eu e minha esposa decidimos doar tudo que ela tinha, para um pessoal que retirava animais da rua, o Pet Feliz. Eu não sabia nem do que se tratava, mas topei para aliviar a dor da minha mulher.
Passados alguns dias, vendo toda angustia da minha esposa, aceitei ver uma guapeca que eles haviam recolhido a pouco e diziam “ser o nosso número”. Como eles poderiam saber? Nem nos conheciam!

Ficamos com a cachorra, era uma vira-lata bonita, diferente dos outros, uma exceção.
Não bastou algumas horas para ela me conquistar e eu começar a enxergar algumas qualidade em um cachorro que não tinha raça.
Meses se passaram e eu me peguei olhando outros guapecas na rua e vendo qualidades neles, que antes me passavam desapercebido.
Olha que pelo bonito, o olho daquele é lindo, que pose que este tem…
Mês passado decidimos alimentar os cachorros que encontrássemos na rua e aí veio a constatação!
Não existe mais guapeca no mundo que não me chame a atenção!!!
É incrível que ao conviver com eles, o mundo parece que se abre diante dos nossos olhos, como um deficiente visual que desenvolve os outros sentidos, passei a ver a beleza nestes cachorros, não só a externa, mas o amor que eles lhe dão por um simples prato de comida, ou um cafuné, até mesmo por falar com eles por um minuto.
Não me sinto especial, mais inteligente,ou evoluido que ninguém, muito pelo contrário. Me sinto um cretino completo, por ter passado quase quarenta anos sem perceber isso.
Hoje o que me frusta, é saber que poucos darão a si mesmos esta oportunidade. Nã
o saberão como estes cachorros são gratos e que a única diferença dos demais, é que eles não têm um papel dizendo que são “de raça”.
Estamos no século XXI, não existe mais lugar para o preconceito, não pense no que os vizinhos irão dizer ao vê-lo com um vira-lata.
Eles precisam tanto de alguém, precisam ser amados, como nós, precisam de um lar, como nós, precisam de comida, como nós
Abra o seu coração e descubra por si só, o quanto você irá receber de volta!
Se eu consegui, você também consegue!!!
Só uma pergunta… Se você fosse adotar um cachorro, seria o da primeira foto ou da última?
Veja as duas fotos, compare-as e seja sincero…
Porque a diferença entre eles, é que na primeira ela estava molhada saindo do banho e na segunda já estava pronta…

























setembro 12th, 2012 at 13:58
É fácil amar um cão de raça, pois nossa natureza perversa nos diz que devemos amar o que é belo e via de regra, desprezar o que é feio. Acontece que além de beleza ser um conceito bastante subjetivo, o que é feio num dia pode se tornar belo no outro, a única coisa feia que geralmente morre com a gente são nossos preconceitos e nossas opiniões retrógradas.