
Quando acompanhamos o dia-a-dia de
protetores é impossível ficar passivo.
A vontade de ajudar também, de tirar
animais da rua, de trazer luz à vida deles, é simplesmente contagiante. E após vencer a inércia do braço cruzado, percebemos que ajudar aos
animais é bem mais complicado do que pensamos.
Semana passada, ao levar meus filhos ao colégio, vi um
guapequinha na rua, mancando da pata traseira. Tive o impulso de
trazê-lo para casa, cuidar dele e procurar um lar, mas escola vem primeiro!
Deixei as crianças no colégio e voltei pra casa. Ao contar para
Mari, voamos para tentar achá-lo.
Depois de procurar bastante, eu o encontrei no meio do mato,
acoado, tentando se esconder. Quando ele percebeu que eu estava chegando perto, saiu correndo em
direção à rua.
A
Mari tentou
seguí-lo, mas ele subiu a ladeira com uma ligeireza absurda. Peguei o carro e começamos a "caçada".

Depois de um bom tempo e várias descidas infrutíferas do carro, achei o ponto perfeito para pegá-lo. Um carro atravessado na calçada seria o local
exato!
Não é que aquele
cachorro com uma pata defendida (provavelmente quebrada) e a
outra machucada, me deu um drible digno do
Garrincha e se mandou??
Ao chegar no trabalho e contar para algumas pessoas, ouvimos brincadeiras dizendo que se um cachorro com 2 patas machucadas nos deu esse baile, imagine se ele estivesse com as 4 patas saudáveis!!
Ainda não o reencontramos para uma nova investida, mas hoje cruzei com uma fêmea de
Pastor Alemão linda, atravessando a
Av. Cidade Jardim, com a pata dianteira muito machucada e a
língua arrastando no chão de tanta sede e cansaço. Não tinha como parar, pois estava prestes a entrar na Marginal.
Mas, chegando no trabalho, peguei a
Mari e saímos em uma nova busca.
Achamos esta
pastora depois da ponte, numa
pracinha, junto com um
filhotinho. Larguei a
Mari lá e só consegui parar o carro no
Jóquei. Os dois latiam muito para ela, que foi se aproximando aos poucos. Lentamente, conseguiu a atenção e confiança deles a ponto de fazer carinho e sentar ao seu lado. Pudemos ver de perto que o machucado era bem grave, a pata estava esmagada, com sangue coagulado.
Fui correndo pegar comida e água no posto em frente, pois estava com o carro da minha mãe.
Quando voltei, a
Mari estava conversando com um mendigo completamente bêbado. Um carroceiro que provavelmente era o dono dos
cachorros (pelo menos dizia - ou grunhia - que era). Tentamos conversar com o dito, mas o estado etílico do infeliz tornou esta conversa bizarra.
Nenhum
argu
mento nosso era ouvido e ao tentarmos pegar o
cachorro, o mendigo nos deixou claro que isso não iria acontecer.
Dois
cachorros de rua, machucados, estão vagando ainda, por conta de nossa incapacidade de ajudá-los.
É muito frustrante passar por esta situação, mas quando começamos a pensar em fazer isso, sabíamos que não seria fácil.
Nós agora entendemos porque poucas pessoas o fazem, mas sabemos também que iremos nos juntar a eles e salvar o máximo de
cachorros que pudermos. Os que não conseguirmos, iremos rezar para que outros
protetores cruzem seus caminhos.
Ilustrei a matéria com as fotos da
Baguette (Maysa)e da
Bechamel, para nos trazer sorte em nossa próxima empreitada, afinal os outros dois
cachorros estão, por enquanto, apenas em nossas memórias.
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