O Cachorro da Moda

"Quando eu era pequeno e passeava pelas ruas de São Paulo, era muito comum ver no quintal das casas cachorros que me fascinavam. Quem não queria ter um Pastor Alemão e se sentir como aquele garotinho, dono do Rin-Tin-Tin? Ou uma Collie e ter um cachorro quase humano como a Lassie? Melhor ainda, um São Bernardo, com seu barrilzinho preso no pescoço salvando pessoas perdidas nas geleiras paulistanas? Quem não queria ser protegido por um Doberman como nos filmes de ação? Ou ter um Sheepdog gigantesco como o Digby e aterrorizar sua vizinhança?
Em casa eu ainda não podia ter um cachorro, pois minha mãe tinha horror a sujeira. Mas da casa da minha bisavó eu ainda guardo a lembrança de um “CÃO POLICIAL”, o Mate. Para mim se tratava de um cachorro enorme, com o pelo brilhante, que me despertava amor e medo em proporções iguais. Os adultos faziam muito alarde por ele ser bravo, mas nunca nenhum dos netos sequer se arranhou.

Alguns anos se passaram, mas a minha mãe não mudou de opinião. Eu já não via mais aqueles cachorros da minha infância nas ruas. Agora eram muitos Cockers. Quem não se apaixonou por um deles, pelo menos na vida, com aquele olhar pidão? Via passeando 101 Dálmatas em cada quarteirão e o carrancudo Boxer, que poderia ser tema de música para ninar, assustando criancinhas, mas que na realidade é uma babá de primeira.
Os cães de guarda também mudaram, os pastores não eram mais alemães, e sim Belgas ou Suíços, os elegantes Dobermans deram lugar ao mal humorado Rotweiller, tão mal compreendido. Mas o que mais me marcou nessa fase da minha vida foi uma VIRA-LATA que encontramos perdida e prenha numas férias em Ubatuba. Demos abrigo, comida, um nome (Samantha) e ajudamos a nascer e a encontrar um lar para todos os seus filhotes. Engraçado, sempre que alguém da família lembra dela, dizemos que nós a achamos, mas hoje vejo perfeitamente que ela nos achou.

Finalmente chegou a minha fase adulta e pude dar vazão a alguns sonhos. Como não poderia deixar passar, meu primeiro cão. Um Dog Alemão, lindo demais, doce demais (mas que ninguém chegasse muito perto). O nome dele era Bacco e eu o guardo no coração até hoje. Depois dele vieram Balboa, Sherlock e Bacci, respectivamente um Boxer, um Basset Hound e uma Cocker.
Três cachorros maravilhosos. O Balboa expressava um amor por nós como poucos. O Sherlock se virava em três para acompanhar os outros dois e a Bacci, que em um livro não conseguiria dizer tudo que tenho a dizer dela...era um anjo de quatro patas, com o perdão do clichê.
Mais alguns anos se passaram e os quintais mudaram de donos novamente. Golden Retrivers e Labradores passeando pelas praças. O Maltês que veio junto com a internet gratuita. Impossível passar dez minutos num pet shop sem ver um Lhasa Apso. E nosso amigo Rotweiller foi desbancado pelo polêmico Pitbull.
Hoje, em 2007, eu tenho uma SRD, o famoso SEM RAÇA DEFINIDA. Sem dúvida, foi um presente da Bacci, que morreu no começo do ano, entregue pelas mãos da Marta e do Mauro.
Não tenho medo de dizer que, em apenas três meses, essa cachorrinha salvou a sanidade mental de duas pessoas, trouxe de volta alegria de nossa casa, mudou as brincadeiras com meus filhos e nos trouxe de volta um sentimento de amor incondicional que só um cachorro pode oferecer.

O dia não está completo sem que ela me acorde lambendo o rosto, ou que persiga a bola quando jogo futebol com meus filhos, ou que a Mari tenha que levá-la no colo até o muro para ela ver o movimento da rua, ou que ela me desaloje do meu travesseiro. Essa cachorra há três meses estava na rua, prenha, suja, machucada, desnutrida e inteira coberta de pulgas e carrapatos. E por que? Porque ela não nasceu com pedigree. Porque ela não está na “moda”.
O mais irônico nessa história toda, é que a moda passa ao longo dos anos. Passam os pastores, dobermans, rotweillers, poodles, pequineses... Que fique claro que não tenho absolutamente nada contra eles, muito pelo contrário, mas o bom e velho VIRA-LATA nunca sai de moda.
O amor, a fidelidade e a gratidão que um animalzinho deste traz consigo, não é algo que se encontre em livros sobre cães de raça. Não quero com isso dizer que eles sejam melhores ou piores que qualquer outro. Quero dizer apenas que eles são diferentes, eles são únicos, eles são “a nossa cara”.

De todos os relatos que eu li sobre adotantes, acho que não passou um que não dissesse exatamente isso em seus textos. Os animais adotados se encaixam em nossas vidas e em nossos hábitos de uma forma tão maravilhosa, que quando nos damos conta, percebemos que eles fazem parte de cada segundo do nosso dia. Eles se adaptam e se contentam com o que podemos oferecer, e para eles isso é mais do que o suficiente.
É mais do que eles poderiam querer. Talvez por terem conhecido de perto as dificuldades de sobreviver nas ruas, eles dão valor a cada segundo ao nosso lado, sob um teto seguro, com comida, água e carinho garantidos.
Então quando ouço pessoas dizendo da nossa coragem, ou da nossa bondade, ou do nosso desprendimento em adotar um cachorro vindo da rua, só posso dar risada e ter comigo a certeza de que apenas quem nunca teve a oportunidade de ser adotado por eles, pode pensar dessa forma.
Eu amo minha cachorra e agradeço a Deus por ela ter me encontrado e por ter colocado na Terra pessoas como o Mauro e a Marta, com certeza seus mensageiros, que dedicam parte de sua vida e seus recursos para trazer à pessoas desconhecidas a chance de viver tudo isso.
Obrigado Bacci, obrigado Bechamel, obrigado Mauro e Marta, obrigado Mah. Eu lhes serei eternamente grato. "
(Alexandre Brendim)
Marcadores: adotar, adoção, cachorros, caes, guapecas, moda, rua, srd, vira-latas






































30 Comentários:
Agora vê, realmente nunca havia percebido este foto "cachorro da moda", espero que não venha a moda do sapo hehehehe
Abraços forte
Por
Príncipe Encantado, Às
15 de Agosto de 2009 17:08
SAUDAÇÕES!
Amigo Alexandre,
Sua história é muito bonita, em linhas gerais você demonstrou de forma inquívoca seu profundo amor pelos cães, e isso é deveras importante...Fiquei muito feliz com o seu relato!
Parabéns pelo magnífico Post!
Abraços,
LISON.
Por
LISON, Às
15 de Agosto de 2009 18:08
Olá !
Agora vim ler e '''fechou comigo em relação a """amados vira-latas""".Tenho 5 princesas,todas da mesma família.Um abraço
Por
bruxinhabronye, Às
15 de Agosto de 2009 18:17
Oi Alexandre. Seu textos me levou ao extremo das saudades lembrei de todos os meus cães. Minha infância eu tivr um viralata chamado Rinte que tinha manchas pretas e o copo btanca. Era o aranhão da vizinhança e a gente contava com ele para tudo. depois eu ganhei minha Karian que faleceu aos 4 anos com cancer de utero, a vieram o negão (um SRD)que mordia todo mundo e foi adotado por outra pessoa, minha meg (cocker de 3 anos) que pegou birra da familia. E meu presente ede aniversário POrcina I, nesse época o Rinte desapaeceu ele tinha então 14 anos, foi assassinado, logo em seguida a POrcina I deu cria e ficamos com a pganhamos a Prince, logo chegou o Tico e o Huck depois dela vIeram a Porcina II e a Fridoca, depois vahallA nasceu (filha de Porcina II)e na casa do meu marido além do Huck adoaram a Zula, com tantos cachorras e alguns deles falecendo ainda tivemos o Atila, o Bope e conosco aqui em casa estão Babi e Billy (ela uma rotweiller) ele um beagle e na casa dos meus pasi alés dos metiços tico, vahalla, Porcina II, temos a carinhosa e unicamente légitima a pastora alemão capa preta, Schanaya.
Minha paixões são Pastores alemão, vira latas e beagles e logo irei adotar um vira latinha pra eu amar.
Por
Debby Lenon, Às
15 de Agosto de 2009 19:08
Quem tem muito disso, cachorros da moda é madame,eu tenho uma poodle negra,ela é uma verdadeira criança, muito meiga, linda, linda.Abraços
ops:kd o selo esse blog é meu heroi? vc n gostou?
Por
Sandra Paula, Às
15 de Agosto de 2009 21:36
meu cachorro é tão grande que pesa 1,250kg, mas todos nos somos apaixonados por ele, é a alegria da casa, seu nome Bob, as vezes Bebe, lindo pretinho chega ser azul de tão preto hehehe
Adoro animais de criação
abraço
Por
Lúcia do Carmo, Às
15 de Agosto de 2009 23:03
que lindo esse linck adoreii eu quase chorei...
mais eu tambeim penso assim penso em ver todos os cães felizes em um lar sendo alimentados e bem cuidados beijos e obrigada =)
Por
Anônimo, Às
16 de Agosto de 2009 00:40
Eu me lembro da época do Pequinês. Aquele cachorro marron com os dentes de baixo, estufados pra fora. Muito feio. Depois,desapareceu!
O vira-lata, como você fala(de maneira muito agradavel,por sinal)é sim, um companheirão dono do olhar mais alegre que já conheci.
Por
Valéria, Às
16 de Agosto de 2009 01:57
ha ha achei mais um website seu ou será que ele achou me não importa...e sempre bom visitar os cantinhos do amigo Alexandre...valeu...fuiiiii
Por
moreijo, Às
16 de Agosto de 2009 12:38
Alexandre,
O que nunca deve cair de moda é o amor que podemos dedicar aos nossos queridos amigos de quatro patas!! E principalemnete o amor incondicional que recebemos deles de volta!!
Adorei seu texto e as lembranças foram inevitáveis!!
Eu já tive vários cães da raça Pastor Alemão, mesmo quando ele já estavam "fora de moda", mas eu sempre achei que eles eram assim como um clássico sabe?? Daqueles que nunca saem de moda!!
Parabéns
Por
Fernanda, Às
16 de Agosto de 2009 18:52
Estes filmes com animais é bom, desperta algum interesse pelos animais, mais, em contra partida tudo que é moda passa e inclusive que compra um cachorro pelo impulso acaba posteriormente perdendo o pique, e muitas vezes acaba abandonando o animal.
Por
Joselito, Às
16 de Agosto de 2009 21:48
O texto me chamou atenção porque justamente por esses dias eu estava pensando nisso. A crueldade da moda. Tudo é descartavel...
è roupa,é comida, são vegetais, animais e até pessoas.
Eu percebi as plantas da minha infância que não encontro mais. os cachorros, onde estão os piquenezes? Exterminaram? É certo que eles não eram as coisas mais fofas rsrsr.Adoro animais mais tenho uma predileção por gatos, tenh dois um de raça e um SRD adotado. E fico pensando: as pessoas valorizam tanto essa coisa de raça que esquecem o que é de verdaade que é em criar um animalzinho: A troca do amor. Um beijão.
Por
Vampira Dea, Às
17 de Agosto de 2009 03:56
Principe, não queres entrar na moda???
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:16
Lison...cachorros são anjos que Deus nos enviou, para deixar nossa passagem por aí mais suave...
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:17
Bruxinha...os vira-latas são tudo de bom né?
Não existe raça no mundo se compare a eles...
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:17
Debby, estamos com dois em casa...um deles é genérico de pastor alemão, você vai adorar...ele está no corpo deste post.
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:18
Sandra, ainda não consegui colocar nenhum selo que ganhei aqui no Guapeca...preciso arrumar um tempinho, mas ele é especial e está guardado...
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:19
Lúcia o tamanho do cachorro nunca tem a ver com o amor que eles nos dá...nossa Bechamel tem 8 kg e é a alegria da casa também...não que os outros dois de 20 Kg não sejam também, heeheheheheehehheheehhehe
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:23
Anonima...esse é o sonho de todos nós!
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:25
Valéria, o amor de um guapeca que foi tirado da rua, não se compara a nada que eu já vi!!
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:26
Moreijo, este é o site onde eu relaxo e escrevo sobre o que eu mais gosto.
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:27
Fernanda, cachorro nenhum deveria entrar ou sair da moda, o importante é dedicarmos tempo e amor a eles.
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:28
Joselito, esse é o maior dos problemas atualmente...A quantidade de cachorros de raça que são jogados na rua vem aumentando...
É muito triste ver um animal que já teve um lar e que foi abandonado...
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:29
Vampira, que gosta só de animal de raça é quem nunca teve contato com os guapecas, duro é quando a moda passa e os animais são expurgados dos criadores, como se fossem lixo...
Por
Alexandre Brendim, Às
17 de Agosto de 2009 13:31
Meu caro,
Adorei sua história. Eu tenho um labrador todo preto que está com dois anos e é meu constante companheiro. Já tive um pastor alemão, um golden retriever e um vira lata (não era na verdade meu), cuja historia eu enviei como notícia sob o título DOGUINHO. Dá uma olhada lá.
Abraço
Por
Antonio, Às
17 de Agosto de 2009 18:15
Acho que durante toda uma vida de companhia com os nossos cães, existe sempre aqueles que nos atingem mais.
Desde aos cães de raça até aqueles que nem raça tem.
Pessoalmente é um cão de raça, um Pastor Australiano, que mais me toca, que ainda agora teve de levar uma anestesia geral e adormeceu nas minhas pernas, acordando zonzo, desequilibrado e me procurando para se colocar ao meu lado, mesmo mal se aguentando nas pernas.
Mas quando a noite me sento rodeada pelos meus meninos, percorrendo cada olhar, sei que quando chegar a altura cada um desses olhares me fará falta e de todos eles sentirei saudades.
Por
Helena, Às
18 de Agosto de 2009 12:59
Antonio, aonde eu acho essa história??
Por
Alexandre Brendim, Às
19 de Agosto de 2009 10:22
Helena é bem por aí...minha guapequinha é a paixão de todos nós em casa, mas pegamos outros dois da rua para doá-los e não conseguimos sequer contar para as pessoas que estão para doação, hehehehe
Por
Alexandre Brendim, Às
19 de Agosto de 2009 10:24
Boa tarde, estou passando pra conhecer seu blog, e desejar boa semana.
bjsss
aguardo sua visita :)
Por
Dri Viaro, Às
2 de Setembro de 2009 14:22
Obrigado Dri, fique a vontade sempre para comentar e sugerir novos posts..
Por
Alexandre Brendim, Às
5 de Setembro de 2009 13:24
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