segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A dura vida de quem só quer ajudar

Quando acompanhamos o dia-a-dia de protetores é impossível ficar passivo.

A vontade de ajudar também, de tirar animais da rua, de trazer luz à vida deles, é simplesmente contagiante. E após vencer a inércia do braço cruzado, percebemos que ajudar aos animais é bem mais complicado do que pensamos.

Semana passada, ao levar meus filhos ao colégio, vi um guapequinha na rua, mancando da pata traseira. Tive o impulso de trazê-lo para casa, cuidar dele e procurar um lar, mas escola vem primeiro!

Deixei as crianças no colégio e voltei pra casa. Ao contar para Mari, voamos para tentar achá-lo.

Depois de procurar bastante, eu o encontrei no meio do mato, acoado, tentando se esconder. Quando ele percebeu que eu estava chegando perto, saiu correndo em direção à rua.

A Mari tentou seguí-lo, mas ele subiu a ladeira com uma ligeireza absurda. Peguei o carro e começamos a "caçada".

Depois de um bom tempo e várias descidas infrutíferas do carro, achei o ponto perfeito para pegá-lo. Um carro atravessado na calçada seria o local exato!

Não é que aquele cachorro com uma pata defendida (provavelmente quebrada) e a outra machucada, me deu um drible digno do Garrincha e se mandou??

Ao chegar no trabalho e contar para algumas pessoas, ouvimos brincadeiras dizendo que se um cachorro com 2 patas machucadas nos deu esse baile, imagine se ele estivesse com as 4 patas saudáveis!!

Ainda não o reencontramos para uma nova investida, mas hoje cruzei com uma fêmea de Pastor Alemão linda, atravessando a Av. Cidade Jardim, com a pata dianteira muito machucada e a língua arrastando no chão de tanta sede e cansaço. Não tinha como parar, pois estava prestes a entrar na Marginal.

Mas, chegando no trabalho, peguei a Mari e saímos em uma nova busca.

Achamos esta pastora depois da ponte, numa pracinha, junto com um filhotinho. Larguei a Mari lá e só consegui parar o carro no Jóquei. Os dois latiam muito para ela, que foi se aproximando aos poucos. Lentamente, conseguiu a atenção e confiança deles a ponto de fazer carinho e sentar ao seu lado. Pudemos ver de perto que o machucado era bem grave, a pata estava esmagada, com sangue coagulado.

Fui correndo pegar comida e água no posto em frente, pois estava com o carro da minha mãe.

Quando voltei, a Mari estava conversando com um mendigo completamente bêbado. Um carroceiro que provavelmente era o dono dos cachorros (pelo menos dizia - ou grunhia - que era). Tentamos conversar com o dito, mas o estado etílico do infeliz tornou esta conversa bizarra.

Nenhum argumento nosso era ouvido e ao tentarmos pegar o cachorro, o mendigo nos deixou claro que isso não iria acontecer.

Dois cachorros de rua, machucados, estão vagando ainda, por conta de nossa incapacidade de ajudá-los.

É muito frustrante passar por esta situação, mas quando começamos a pensar em fazer isso, sabíamos que não seria fácil.

Nós agora entendemos porque poucas pessoas o fazem, mas sabemos também que iremos nos juntar a eles e salvar o máximo de cachorros que pudermos. Os que não conseguirmos, iremos rezar para que outros protetores cruzem seus caminhos.

Ilustrei a matéria com as fotos da Baguette (Maysa)e da Bechamel, para nos trazer sorte em nossa próxima empreitada, afinal os outros dois cachorros estão, por enquanto, apenas em nossas memórias.

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8 Comentários:

  • Que aventura, Alexandre.
    As ruas movimentadas de Sampa tornam a tarefa ainda mais complicada.

    Uma pena que não tenha dado certo o regate, mas ao menos vocês tiveram atitude. É isso que falta.

    Abração

    Por Anonymous Rodrigo Piva, Às 9 de fevereiro de 2009 21:36  

  • As vezes fica difícil né Alexandre. Mas o importante é tentar e nunca desistir. Se não deu com estes com certeza a próxima dará certo.
    Parabéns a vocês e um grande abraço.

    Por Blogger Luiz Antonio André, Às 9 de fevereiro de 2009 21:57  

  • Rodrigo, eu vi o pastor na rotatória da Cidade Jardim, não dava nem para pular pela janela, hehehhehehehehhehe. Hoje passamos por lá e aparentemente os carroceiros ainda estão por lá...vamos tentar um ataque furtivo, hehehheheheh

    Por Blogger Alexandre Brendim, Às 10 de fevereiro de 2009 11:33  

  • Luiz, ainda não desistimos desses dois...vamos ver o que rola nos próximos dias...

    Por Blogger Alexandre Brendim, Às 10 de fevereiro de 2009 11:34  

  • Que lindo !. parabéns pra vc Mari numa cidade grande como a nossa que as pessoas nem te comprimentam devido a correria .Vcs tentando salvar cachorros .Ótima materia ,feliz busca.

    Por Anonymous ismanasc@hotmail.com, Às 10 de fevereiro de 2009 18:17  

  • Alexandre sou louca por bichos,e sei bem o que vc passou, mais não desista nunca.
    Tenho 4 cachorros e um gato que achei na rua e hoje são lindos,saudaveis e meus amigos inseparaveis.
    Abraços

    Por Anonymous Anônimo, Às 10 de fevereiro de 2009 18:22  

  • Por ser uma cidade tão grande, os problemas também são enormes, e o descaso com os animais de rua chega a assustar.

    A gente precisa fazer alguma coisa, por menos que seja...

    Por Blogger Alexandre Brendim, Às 11 de fevereiro de 2009 07:52  

  • Minha cachorra também veio da rua, e conseguimos um lar para a Baguette que também pegamos da rua.

    Ainda tem um monte deles precisando da ajuda de todos nós. Não podemos fechar os olhos...

    Por Blogger Alexandre Brendim, Às 11 de fevereiro de 2009 07:53  

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